Governo Lula troca peças na CCJ e tenta abrir caminho para Messias no STF
A sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado ganhou contorno de disputa política antes mesmo de começar. O senador Sergio Moro (União-PR) denunciou uma manobra do governo Lula após ser substituído no colegiado e perder o direito de votar na análise do indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão está marcada para quarta-feira, 29 de abril de 2026.
Segundo a reportagem de Veja, Moro foi retirado da CCJ e substituído pelo senador Renan Filho (MDB-AL), aliado do governo e ex-ministro dos Transportes. Outra troca também chamou atenção: Cid Gomes (PSB-CE) deu lugar a Ana Paula Lobato (PSB-MA). Na prática, as mudanças favorecem o Palácio do Planalto em uma votação apertada e de alto valor político.
Para que a indicação avance na CCJ, são necessários ao menos 14 votos favoráveis. Com as substituições, governistas passaram a projetar pelo menos 15 votos a favor de Messias no colegiado. Ou seja: no tabuleiro do Senado, cada cadeira passou a valer ouro — ou, no caso de Brasília, uma caneta no Supremo.
Moro classificou a movimentação como uma “manobra imoral” do governo e afirmou que votará contra Messias no plenário. O senador também disse que a troca demonstra receio do Planalto diante de uma sabatina mais dura e transparente. A crítica tem peso simbólico: Moro foi juiz da Lava Jato e é um dos nomes mais associados ao episódio que tornou Jorge Messias nacionalmente conhecido em 2016.
A indicação de Messias foi feita por Lula para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. O rito no Senado prevê sabatina na CCJ e, em caso de aprovação, votação no plenário. Para assumir uma cadeira no STF, o indicado precisa receber ao menos 41 votos favoráveis dos 81 senadores.
Jorge Messias é advogado-geral da União, procurador da Fazenda Nacional desde 2007, graduado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, mestre e doutor pela Universidade de Brasília. Também já ocupou cargos jurídicos no governo federal, incluindo a Subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência da República.
O apelido “Bessias” vem de 2016, quando Messias foi citado em uma conversa telefônica entre a então presidente Dilma Rousseff e Lula, no contexto da nomeação do petista para a Casa Civil. No diálogo, Dilma mencionava que enviaria um termo de posse “pelo Bessias”, frase que se tornou símbolo de uma das fases mais turbulentas da crise política que culminou no impeachment.
Agora, dez anos depois, o personagem daquele episódio volta ao centro do poder, desta vez como indicado ao Supremo. A diferença é que, no Senado, o governo Lula parece não querer correr riscos. A troca de integrantes na CCJ mostra que a aprovação de Messias deixou de ser apenas uma avaliação de currículo jurídico e passou a ser uma operação política de sobrevivência parlamentar.
Nos bastidores, aliados do governo tentam demonstrar confiança. O senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da indicação, afirmou à CNN que Messias teria um “piso” de 44 votos no plenário, número suficiente para aprovação. Mesmo assim, a movimentação na CCJ indica que o Planalto não pretende deixar a votação ao sabor do improviso.
A sabatina de quarta-feira deve testar não apenas Jorge Messias, mas também a força real do governo Lula no Senado. Se aprovado, o atual chefe da AGU chegará ao STF carregando uma biografia técnica, forte vínculo político com o petismo e uma marca histórica difícil de apagar: a de ser o “Bessias” que saiu dos bastidores da crise Dilma para bater à porta da mais alta Corte do país.
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