A possível aprovação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) expõe mais uma vez o abismo entre o discurso público de parte da oposição e o comportamento real nos bastidores do Senado. Segundo levantamento divulgado pelo Metrópoles, o indicado do presidente Lula já contaria com ao menos 47 votos favoráveis, número superior aos 41 exigidos para aprovação no plenário.
A votação está prevista para quarta-feira, 29 de abril de 2026, após a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O rito é decisivo: primeiro, Messias precisa passar pela comissão; depois, seu nome segue para o plenário, onde a escolha é feita em votação secreta. É justamente nesse sigilo que mora o conforto de muitos parlamentares: na tribuna, oposição; na urna, governo.
Os comentários de conservadores bolsonaristas nas redes sociais resume a indignação de parte do eleitorado de direita. A crítica mira principalmente partidos que se apresentam como oposição ao governo Lula, mas que, em votações estratégicas, acabam contribuindo direta ou indiretamente para a agenda do Planalto. No caso de uma vaga no STF, essa contradição ganha peso ainda maior, pois a nomeação de um ministro da Corte tem impacto institucional por décadas.
Jorge Messias, atual advogado-geral da União, é um dos nomes mais próximos do núcleo jurídico do governo Lula. Procurador da Fazenda Nacional desde 2007, ele comanda a Advocacia-Geral da União (AGU), órgão responsável por defender juridicamente os interesses do governo federal. Sua indicação ao STF é vista como uma escolha de confiança pessoal e política do presidente.
Mas o nome de Messias carrega um passado simbólico. Ele ficou nacionalmente conhecido em 2016, durante o governo Dilma Rousseff, no episódio do “Bessias”. Naquele momento, Messias atuava na estrutura jurídica da Presidência da República e foi citado em uma ligação entre Dilma e Lula, no contexto da tentativa de nomeação do petista para a Casa Civil. Na conversa, Dilma afirmava que enviaria o termo de posse por meio do “Bessias” para ser usado “em caso de necessidade”.
O episódio entrou para o imaginário político da Lava Jato e virou uma marca permanente na trajetória de Messias. Para aliados, ele era apenas um servidor cumprindo função administrativa. Para críticos, o caso simbolizou uma tentativa de blindagem política de Lula em um dos momentos mais turbulentos do governo Dilma.
Agora, dez anos depois, o “Bessias” pode sair do rodapé da crise de 2016 para uma cadeira no STF. E não por falta de resistência nas redes sociais, mas pela provável falta de resistência efetiva no Senado.
A leitura política é incômoda para a oposição. Se os 47 votos se confirmarem, Messias será aprovado com margem acima do necessário. Isso significa que, além da base governista, setores independentes e até parlamentares de partidos que discursam contra Lula podem estar pavimentando o caminho do indicado.
O caso deixa uma pergunta direta ao eleitor: a oposição que critica o governo federal está disposta a enfrentá-lo nas votações decisivas ou prefere manter o teatro para a plateia? Porque, quando o voto é secreto, o discurso bonito perde o microfone e o placar conta a verdade.
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