Vendas da Porsche caem 15% após crise na China e tarifas nos EUA

Foto: Porsche
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A Porsche fechou o primeiro trimestre com uma queda global de 15% nas entregas de veículos.

O volume recuou de mais de 71 mil unidades no mesmo período do ano passado para pouco menos de 61 mil carros repassados aos clientes.

O tombo reflete diretamente a forte retração do mercado na China e os novos obstáculos alfandegários impostos pelos Estados Unidos.

Na contramão do cenário negativo, a Alemanha foi a única região a registrar alta, crescendo 4%, enquanto as vendas no restante da Europa encolheram 18%.

O mercado americano, responsável por um terço do faturamento global da montadora, virou um campo minado comercial.

Desde o início de abril, as importações enfrentam uma nova tarifa de 25%.

Como a Porsche não possui fábricas nos Estados Unidos, diferentemente de rivais como BMW e Mercedes-Benz, toda a sua frota vendida no país sofre a taxação integral.

A diretoria financeira já calcula o impacto na casa das centenas de milhões de euros e alerta que o repasse de preços ao consumidor será inevitável caso Washington e Bruxelas não cheguem a um acordo.

Do outro lado do mundo, a pressão vem da pesada concorrência de fabricantes locais.

As entregas na China despencaram 21%, forçando uma mudança drástica na operação da marca.

A empresa decidiu priorizar a rentabilidade em vez do volume e está reduzindo sua rede de concessionárias chinesas quase pela metade, passando de 150 para 80 lojas.

O ajuste tenta estancar a sangria de um ano anterior devastador, quando o lucro operacional da companhia derreteu quase 93% em meio a reestruturações e pesadas baixas contábeis ligadas a baterias.

O novo diretor executivo, Michael Leiters, assumiu o comando em janeiro com a missão urgente de reverter o quadro.

O plano de recuperação aposta em cortes agressivos de gastos e no lançamento da versão totalmente elétrica do Cayenne ainda este ano.

Mesmo com as ações da empresa acumulando 17% de queda, a cúpula da montadora alemã projeta uma receita de até 36 bilhões de euros para 2026.

A real dimensão dessa crise tarifária e os próximos passos da operação serão detalhados aos investidores em uma teleconferência na próxima semana.

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