Um levantamento recente do instituto Real Time Big Data revelou que a maioria dos brasileiros ainda adota uma visão conservadora em relação a temas sensíveis como aborto e uso de drogas. A pesquisa foi realizada entre 30 de março e 1º de abril de 2026, com cerca de 3 mil entrevistas em todo o país, margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os dados mostram que 63% dos entrevistados consideram o aborto imoral, enquanto apenas 26% afirmam não ver problema na prática. A rejeição cresce de forma significativa com a idade: chega a 87% entre pessoas com mais de 60 anos, mas cai para 40% entre jovens de 16 a 34 anos.
O uso de maconha também enfrenta resistência relevante na percepção moral da população. Segundo o levantamento, 55% classificam o consumo como imoral, enquanto 35% dizem não ver problema. A reprovação é mais intensa entre mulheres e também entre os mais velhos.
A pesquisa ainda revela diferenças políticas no tema. Entre eleitores, 69% dos que votaram em Jair Bolsonaro em 2022 consideram o aborto imoral, contra 62% entre os que apoiaram Luiz Inácio Lula da Silva, indicando que, apesar das divergências ideológicas, há maioria crítica em ambos os grupos.
Por outro lado, o levantamento mostra maior aceitação em relação a outros comportamentos. O uso de contraceptivos, por exemplo, é amplamente aceito por 81% dos entrevistados, enquanto temas como divórcio também apresentam alta tolerância social.
O retrato traçado pela pesquisa sugere que, mesmo diante de debates intensos no campo político e jurídico, parte significativa da população brasileira mantém posições tradicionais em pautas morais — um dado que tende a influenciar diretamente discussões legislativas e decisões de governo nos próximos anos.




