A indicação do advogado-geral da União, , para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos políticos após uma declaração que repercutiu nos bastidores de Brasília e no meio jurídico. Em entrevista recente, Messias afirmou: “Fui o primeiro a pedir a prisão do 8 de janeiro”, referindo-se às medidas adotadas após os ataques às sedes dos Três Poderes.
O episódio mencionado pelo indicado remete aos atos de depredação ocorridos em , quando manifestantes invadiram e vandalizaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o STF. À época, a Advocacia-Geral da União, sob comando de Messias, atuou junto ao Judiciário pedindo medidas cautelares, bloqueio de bens e responsabilização dos envolvidos.
A fala é interpretada como um recado direto ao Senado Federal, responsável por sabatinar e aprovar indicações à Corte. Nos bastidores, aliados do governo veem a declaração como uma tentativa de reforçar o alinhamento institucional de Messias com a defesa da ordem democrática — um ponto sensível após os acontecimentos de janeiro de 2023.
Indicado pelo presidente , Messias construiu sua trajetória no serviço público com forte ligação ao Partido dos Trabalhadores (PT). Antes de assumir a AGU, ocupou cargos estratégicos no governo federal, incluindo funções na Casa Civil e na Subchefia para Assuntos Jurídicos. Sua proximidade com Lula é vista por críticos como um fator que pode comprometer a independência exigida de um ministro do STF.
No campo jurídico, apoiadores destacam que Messias possui experiência relevante em direito público e atuação direta em crises institucionais, como a resposta aos atos de 8 de janeiro. Já opositores argumentam que sua atuação foi marcada por viés político, sobretudo na condução de ações contra adversários do governo.
A eventual aprovação de Messias pelo Senado dependerá não apenas de sua qualificação técnica, mas também de sua capacidade de convencer os parlamentares de que terá postura independente na Corte. A declaração sobre o 8 de janeiro, embora fortaleça sua imagem junto à base governista, pode acirrar resistências entre senadores mais críticos ao governo federal.
Nos corredores do Congresso, a leitura é clara: mais do que currículo, o que está em jogo é confiança — e, nesse quesito, cada frase pesa como voto antecipado.




