Voo de ministro do STF pago por advogada ligada ao Banco Master levanta questionamentos
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kássio Nunes Marques, realizou uma viagem de Brasília a Maceió, em 14 de novembro de 2025, em voo particular custeado pela advogada Camilla Everton Ramos. O deslocamento ocorreu ao lado da esposa do magistrado e teve como destino a comemoração de aniversário da própria advogada, que confirmou ter arcado com os custos e organizado a viagem.
Segundo informações divulgadas por veículos de imprensa e confirmadas por relatos oficiais, o convite partiu de Camilla, que também teria convidado outros casais para o evento. A defesa do ministro sustenta que a participação ocorreu dentro de um contexto social privado, sem qualquer relação institucional. Já a advogada afirmou que o voo foi contratado de forma pessoal, caracterizando-o como “particular e privado”.
Camilla Everton Ramos é casada com o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), apontado como ex-colega de Nunes Marques. O vínculo entre os envolvidos adiciona um componente de proximidade que tem sido observado por analistas do meio jurídico.
A aeronave utilizada pertence à empresa Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços, associada à Prime You, companhia citada em reportagens como administradora de bens do empresário Daniel Vorcaro. Registros indicam que o ministro e sua esposa acessaram o terminal executivo do Aeroporto de Brasília por volta das 10h, com decolagem cerca de 35 minutos depois, conforme dados da Aeronáutica.
Outro ponto que chama atenção é a atuação profissional de Camilla Ramos. Ela aparece no Superior Tribunal de Justiça (STJ) como advogada do Banco Master em ao menos três processos relacionados à recuperação de créditos no setor sucroalcooleiro. Documentos apontam ainda que a advogada recebeu procuração para representar a instituição financeira em dezembro de 2024.
Procuradas, as defesas dos envolvidos têm reiterado o caráter privado da viagem. Já a defesa do empresário Daniel Vorcaro não se manifestou até o momento.
O caso ocorre em meio a um ambiente de maior escrutínio público sobre relações entre autoridades do Judiciário e agentes privados, especialmente em situações que envolvem benefícios indiretos, como transporte e hospitalidade.
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