A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a Operação Inauditus para investigar um esquema de venda de decisões judiciais dentro do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em diversos estados, com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As investigações apontam que magistrados, assessores e operadores do direito atuavam de forma coordenada para direcionar sentenças em processos de alto valor, especialmente em disputas agrárias. O grupo, segundo a PF, manipulava a tramitação dos casos com prioridade seletiva e distribuição estratégica, favorecendo interesses específicos mediante vantagens indevidas.
Além do núcleo jurídico, a apuração identificou movimentações financeiras suspeitas, com indícios de triangulação e ocultação de recursos, típico de esquemas de lavagem de dinheiro.
Entre as medidas autorizadas pela Justiça estão a prisão preventiva do principal operador do esquema, o afastamento de cinco servidores, o monitoramento eletrônico de investigados e a proibição de acesso ao tribunal. Também foi determinado o bloqueio de bens que pode chegar a R$ 50 milhões.
As ações atingem gabinetes, escritórios de advocacia e empresas ligadas aos investigados, com diligências realizadas no Maranhão e em outros estados, como São Paulo, Ceará e Paraíba.
Segundo a Polícia Federal, os envolvidos podem responder por corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que, somadas, ultrapassam quatro décadas de prisão.
O caso expõe fragilidades no sistema de controle interno do Judiciário e reacende o debate sobre transparência e responsabilização dentro das cortes estaduais — um tema que, convenhamos, sempre aparece… mas raramente com cifras tão explícitas.




