O conflito militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, somado à consequente interrupção dos fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz, elevou os preços do combustível de aviação a patamares históricos.
O cenário tem forçado as companhias aéreas de toda a Ásia a cortarem rotas, aterrarem aeronaves e aumentarem as tarifas repassadas aos passageiros.
O setor se prepara para enfrentar o que especialistas de mercado consideram a pior crise da aviação desde o auge da pandemia.
Dados de associações internacionais do transporte aéreo indicam que o preço médio global do barril de combustível disparou para quase US$ 200 nas últimas semanas, mais que o dobro do valor registrado no mês anterior.
O salto vertiginoso gerou um impacto severo em uma indústria onde os gastos com abastecimento representam, historicamente, um quarto de todos os custos operacionais das empresas.
As operadoras vietnamitas estão entre as mais impactadas pelo choque logístico e financeiro.
A principal companhia aérea do país suspenderá diversas rotas domésticas a partir de 1º de abril, com projeções de cortes ainda mais profundos nos serviços internos caso o preço do barril continue sua escalada.
Empresas locais de baixo custo também planejam reduzir sua capacidade geral em quase 20%, enquanto outras operadoras pretendem cortar pela metade a oferta de voos diários.
A autoridade reguladora da aviação civil do Vietnã emitiu um alerta formal indicando que a escassez física de combustível pode se concretizar já no próximo mês, logo após países vizinhos interromperem as exportações do insumo.
Na Índia, o impacto também será sentido de forma abrangente no tráfego aéreo.
O cronograma oficial de voos para a próxima temporada de verão prevê que as operadoras locais realizarão cerca de 2.500 viagens domésticas a menos por semana. Isso representa uma redução estrutural de 10% na capacidade em comparação ao ano anterior, refletindo o esforço das companhias para se ajustarem à nova realidade de custos operacionais.
A crise energética tem gerado reações nos mais altos escalões políticos da região.
A presidência das Filipinas admitiu publicamente que o cancelamento generalizado de voos comerciais devido à falta de combustível é uma possibilidade real e iminente.
Em resposta à crise, as principais companhias de aviação do arquipélago já anunciaram ajustes temporários em suas malhas a partir de abril, suspendendo e reduzindo as frequências de rotas estratégicas internacionais que conectam o país a destinos na Austrália e no Sudeste Asiático.
No Paquistão, o setor aéreo contabiliza perdas financeiras estimadas em mais de US$ 70.000.000 desde o início das hostilidades no Oriente Médio.
Autoridades aeroportuárias locais relatam que quase 600 voos já sofreram interrupções diretas em decorrência do cenário de instabilidade geopolítica e econômica.
Para tentar equilibrar o fluxo de caixa, as empresas de aviação iniciaram um repasse agressivo de custos para os consumidores.
Grandes transportadoras da região dobraram as taxas de combustível cobradas nas passagens, com as tarifas de longo curso sofrendo reajustes superiores a 100%, além de novos aumentos já programados para as próximas semanas.
Operadoras em toda a Ásia confirmaram a expectativa de elevar os preços finais das passagens em margens que variam de 10% a 15%.
Pesquisas setoriais apontam que mais da metade das companhias aéreas já introduziu novas taxas ou ajustou seus preços para cima recentemente.
Consultores e ex-reguladores do mercado asiático alertam que, caso o conflito militar persista e os preços do querosene de aviação se mantenham nos patamares atuais, as empresas aéreas enfrentarão um estresse financeiro prolongado.
A avaliação é de que a continuidade desse cenário por mais algumas semanas poderá comprometer de forma definitiva a viabilidade de diversas operações comerciais na região.




