Demanda por veículos elétricos dispara na Ásia impulsionada pela alta dos combustíveis

Foto: Divulgação/BYD
Foto: Divulgação/BYD

A escalada militar no Irã, que abala os mercados globais de energia desde o final de fevereiro, está transformando drasticamente os hábitos de consumo no setor automotivo asiático.

Concessionárias de veículos elétricos de marcas chinesas e vietnamitas registram uma corrida de clientes que buscam escapar dos custos recordes dos combustíveis fósseis.

Em uma loja da montadora BYD localizada no distrito financeiro de Manila, nas Filipinas, a equipe de vendas contabilizou o equivalente a 1 mês de pedidos em apenas 2 semanas.

A cerca de 1.770 quilômetros de distância, na cidade de Hanói, gerentes da fabricante VinFast relataram que as visitas aos galpões de exposição quadruplicaram desde o início da guerra, exigindo a contratação emergencial de novos funcionários.

As lojas da marca venderam 250 unidades elétricas em um intervalo de 3 semanas, superando a marca de 80 carros comercializados por semana, o que representa o dobro da média registrada ao longo do ano de 2025.

O choque econômico é um reflexo direto dos ataques coordenados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, iniciados no dia 28 de fevereiro, que interromperam o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, rota responsável por escoar cerca de 20% do fornecimento global de petróleo.

O barril do tipo Brent atingiu a cotação de US$ 112 no dia 19 de março, quase o dobro do patamar de US$ 61 registrado na abertura do ano.

O impacto financeiro tem sido severo no Sudeste Asiático, o governo do Vietnã anunciou um reajuste imediato nesta sexta-feira (20/03), elevando a gasolina em mais de 20% e o diesel em quase 34% de uma só vez.

Em Mianmar, os preços nas bombas saltaram cerca de 30% no intervalo de 1 dia, enquanto as Filipinas registraram aumentos superiores a 20 pesos por litro no óleo diesel em apenas 1 semana.

A crise energética forçou os governos locais a acelerarem os pacotes de incentivos para a transição elétrica.

O Laos anunciou uma redução de 30% nas taxas de registro para modelos elétricos, aplicando um aumento idêntico aos encargos dos carros movidos a combustão, e determinou que as empresas de transporte convertam pelo menos 10% de suas frotas até o final do ano.

O Vietnã já opera com taxa zero de registro para veículos a bateria até 2027, enquanto as concessionárias asiáticas ampliam as promoções com juros zerados para o financiamento de modelos selecionados até o dia 31 de março.

Um relatório divulgado pelo instituto de pesquisa Ember apontou que a atual frota global de carros elétricos já substituiu o consumo diário de 1.700.000 barris de petróleo em 2025, volume que equivale a 70% das exportações iranianas pelo estreito bloqueado.

Especialistas do setor energético observam que as condições atuais diferem dos choques anteriores, uma vez que a indústria reduziu estruturalmente os custos das baterias e expandiu a oferta de opções acessíveis para os mercados emergentes, consolidando a eletrificação como uma proteção viável e de longo prazo contra a volatilidade do petróleo.

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