ANTT tenta acalmar crise do diesel, mas alerta de colapso no transporte escancara fragilidade sob governo Lula
Enquanto o preço do diesel segue pressionando o bolso das empresas e dos brasileiros, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) adotou um discurso de contenção de danos nesta quarta-feira (18). O diretor do órgão, Guilherme Sampaio, afirmou que não há, neste momento, perspectiva de paralisação no transporte público do Distrito Federal e do Entorno. A fala, no entanto, soa mais como tentativa de acalmar o mercado do que um reflexo da realidade enfrentada pelo setor.
Segundo Sampaio, os contratos de concessão estariam “equilibrados” e sendo monitorados pela agência. Ainda assim, o cenário descrito por empresários do transporte indica o oposto: risco concreto de interrupção dos serviços por falta de combustível.
O alerta mais contundente veio da Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário Interestadual Semiurbano de Passageiros (Anatrip), que enviou um ofício à ANTT pedindo medidas emergenciais. No documento, a entidade relata dificuldades reais para adquirir diesel em quantidade suficiente para manter as frotas operando plenamente — um problema que, na prática, ameaça diretamente a rotina de milhares de trabalhadores que dependem do transporte público diariamente.
A justificativa para o aumento nos custos recai sobre a instabilidade internacional, especialmente os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que têm pressionado o mercado global de combustíveis. No entanto, especialistas do setor apontam que a vulnerabilidade interna e a falta de previsibilidade na política energética brasileira ampliam os efeitos dessa crise.
A situação se agrava ainda mais com a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar possíveis irregularidades no mercado de combustíveis, incluindo práticas que possam ferir a ordem econômica e prejudicar consumidores. O movimento levanta suspeitas sobre distorções nos preços e reforça a sensação de descontrole no setor.
Apesar da tentativa da ANTT de diferenciar o transporte de passageiros do transporte de cargas — este já sob forte tensão nacional —, a linha que separa os dois parece cada vez mais tênue diante do impacto generalizado do diesel.
Na prática, o que se vê é um setor pressionado, empresas operando no limite e um governo que, até aqui, reage mais do que antecipa crises. A conta, como de costume, pode acabar no colo do cidadão — seja com tarifas mais altas, seja com a redução de serviços essenciais.




