Delegado que indiciou Bolsonaro vira assessor de Moraes no STF e reacende debate sobre proximidade entre investigação e julgamento
A nomeação do delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor para atuar como assessor do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a provocar debates no meio político e jurídico em Brasília. A designação foi oficializada nesta terça-feira (10) no Diário Oficial da União pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Shor ficou conhecido por conduzir o inquérito da chamada “trama golpista”, investigação que resultou no indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados por supostos crimes contra o Estado Democrático de Direito. O trabalho da Polícia Federal serviu de base para a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República e, posteriormente, para a condenação de Bolsonaro no âmbito do Supremo Tribunal Federal.
A partir de agora, o delegado passa a integrar diretamente a equipe de assessoria do gabinete de Moraes, ministro que atuou como relator de diversas investigações relacionadas aos atos antidemocráticos e às apurações sobre tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Durante o período em que conduziu os inquéritos na Polícia Federal, Shor tornou-se figura central em investigações sensíveis envolvendo o ex-presidente e integrantes do antigo governo. Por causa de sua atuação, o delegado também foi alvo de críticas e ataques de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais e em declarações públicas de aliados políticos do ex-mandatário.
Entre os episódios investigados por ele está o caso envolvendo o ex-assessor da Presidência Filipe Martins. Na ocasião, surgiram dúvidas sobre um suposto registro de entrada nos Estados Unidos que teria sido utilizado como elemento de defesa no processo. Após questionamentos de autoridades americanas sobre a veracidade do registro, Shor solicitou a abertura de novo inquérito para apurar eventual inserção de dados falsos no sistema migratório.
A mudança de função ocorre em um momento de forte polarização política no país e tende a alimentar discussões sobre a relação entre órgãos de investigação e o Judiciário, especialmente em casos envolvendo figuras políticas de grande relevância nacional.
Enquanto críticos apontam possível conflito institucional pela proximidade entre investigador e magistrado, defensores da nomeação afirmam que a presença de profissionais com experiência em grandes investigações pode reforçar a capacidade técnica dos gabinetes do STF na análise de processos complexos ligados à segurança institucional e à defesa da democracia.
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