A possibilidade de um reajuste no preço da gasolina no Brasil voltou a pressionar o mercado de etanol e reacendeu o alerta entre produtores e analistas do setor de combustíveis. Embora ainda não haja confirmação de aumento nas refinarias, especialistas avaliam que qualquer elevação no preço da gasolina tende a impactar diretamente o valor do biocombustível nas bombas.
A lógica é simples: gasolina e etanol competem diretamente no mercado brasileiro, especialmente porque a maioria da frota nacional é composta por veículos flex, capazes de rodar com ambos os combustíveis. Quando a gasolina fica mais cara, o etanol costuma acompanhar a alta para manter a relação de competitividade entre os dois produtos.
De acordo com analistas do setor, historicamente o etanol pode até subir em proporção maior que a gasolina. Em um cenário hipotético de aumento de 5% na gasolina, por exemplo, o preço do etanol nas usinas poderia registrar alta entre 7% e 8%.
Apesar dessa pressão potencial, o mercado ainda não espera um reajuste imediato. A Petrobras tem adotado uma estratégia de esperar algumas semanas quando há variações nas cotações internacionais do petróleo antes de decidir sobre mudanças nos preços internos. Em geral, quando decide ajustar os valores, a estatal recompõe apenas parte da diferença em relação ao mercado internacional para evitar oscilações bruscas no país.
Ao mesmo tempo, forças opostas atuam sobre o mercado de etanol neste momento. O início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil tende a aumentar a oferta do biocombustível e pressionar os preços para baixo. Esse período também costuma ser marcado pela venda dos estoques acumulados durante a entressafra, muitas vezes com descontos.
Diante desse cenário, o comportamento do etanol nas próximas semanas dependerá do equilíbrio entre dois fatores principais: a possível alta da gasolina — influenciada pelo petróleo no mercado internacional — e o aumento da oferta com a nova safra de cana. Se a gasolina subir, o etanol tende a seguir o mesmo caminho; se a produção avançar com força, o efeito pode ser parcialmente neutralizado.
Para o consumidor brasileiro, acostumado a decidir entre gasolina ou álcool na hora de abastecer, o resultado desse “cabo de guerra” entre oferta agrícola e preço do petróleo pode definir quanto custará rodar nas estradas nos próximos meses. E no mundo dos combustíveis, como dizem no mercado: quando a gasolina espirra… o etanol pega gripe. ⛽🌱




