Lula boicota posse de aliado socialista em Portugal para não encarar protestos 

Reprodução das redes sociais
Reprodução das redes sociais

Em uma decisão que revela mais sobre medos pessoais do que sobre diplomacia estratégica, Lula (PT) optou por boicotar a posse do novo presidente de Portugal, António José Seguro (PS), nesta segunda-feira (9), em Lisboa. Foi o único chefe de Estado ou de Governo de língua portuguesa ausente.

Fontes do Palácio do Planalto informaram reservadamente que Lula teve medo de manifestações de brasileiros e portugueses contra sua presença em terras lusitanas, com forte apoio do partido Chega, de direita, de crescente apoio popular.

Aguardavam a passagem de Lula nas avenidas lisboetas outdoors gigantescos referindo-se a Lula como corrupto. “A culpa não é de 500 anos de Portugal, é da Vossa Corrupção”, diz o cartaz gigante, com as fotos de Lula e do presidente de Angola, João Lourenço, que também enfrenta denúncias de corrupção.

Portugal, com sua história compartilhada e sua imprensa livre, expõe as fragilidades do lulismo: um líder que prega solidariedade internacional, mas foge quando o povo o confronta.

A ausência do presidente brasileiro causou estranheza em razão dos laços históricos que unem ambos os países e também porque o novo chefe de Estado português é filiado ao Partido Socialista, do qual Lula se declara aliado.

Escolha do medo

Ausente na festa do aliado socialista em Portugal, Lula optou por comparecer à posse, quarta-feira (11) do novo presidente de direita do Chile, Jose Antonio Kast, por muitos chamados de “o Bolsonaro chileno”.

A escolha não poderia ser mais eloquente: enquanto evita o aliado ideológico em Lisboa, onde o clima político ferve contra ele, o petista se alinha a um evento no qual sua figura não corre o risco de ser vaiada ou exposta ao ridículo.

A ausência em Portugal não é mero descuido protocolar. Lula temia se deparar com manifestações de brasileiros residentes no país europeu, que não perdoam o que veem como um legado de corrupção e desgoverno no Brasil.

Esses expatriados, muitos dos quais fugiram da instabilidade econômica e da insegurança durante os mandatos petistas, prometiam protestos ruidosos nas ruas de Lisboa, com faixas e gritos que ecoariam acusações de sempre: Mensalão, Petrolão e a condenação anulada pelo STF em circunstâncias suspeitas.

‘Vossa corrupção’

O partido Chega, de direita, com crescente apoio popular, transformou Lula (PT) em alvo de uma campanha visual impactante. Pelo país, outdoors gigantes exibem uma foto colossal de Lula, acompanhada da inscrição em letras garrafais: “A culpa não é de 500 anos de Portugal, é da Vossa Corrupção”.

A mensagem, afiada como uma lâmina, rebate as frequentes tentativas de Lula de culpar o colonialismo português pelos males brasileiros, enquanto ignora os escândalos que marcaram seus governos.

O Chega, liderado por André Ventura, soube capitalizar o descontentamento: com o outdoor, não só ataca o PS – partido irmão do PT – como expõe Lula como símbolo da esquerda corrupta que, segundo eles, infecta a lusofonia.

Enquanto isso, no Chile, Lula se sente à vontade para posar de estadista. A posse do novo presidente de direita – um evento que, ironicamente, celebra o giro conservador no país andino – não representa ameaça.

Lá, não há outdoors o ridicularizando. É uma viagem segura, com fotos sorridentes e discursos sobre integração sul-americana, longe dos holofotes incômodos de Lisboa.

Resta saber se os brasileiros, aqui ou lá fora, continuarão a engolir essa narrativa conveniente. Afinal, como diz o outdoor do Chega, a culpa não é do passado colonial – é da corrupção que persiste no presente.

DP

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