Uma nova página do escândalo do Banco Master voltou a sacudir Brasília nesta semana: um pedido explícito do senador Jaques Wagner (PT-BA) para que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega fosse contratado pela instituição financeira deixou expostas relações políticas que aprofundam o desgaste do governo federal no centro da crise.
A apuração e levantamento da imprensa, mostra que Wagner, líder do governo Lula no Senado, atuou diretamente para viabilizar a chegada de Mantega ao quadro de consultores do Master — com salário estimado em R$ 1 milhão por mês — depois que sua indicação para o Conselho de Administração da mineradora Vale encontrou resistência no mercado.
Mantega passou a atuar no banco quando este ainda mantinha relações estreitas com figuras influentes do PT, com a missão declarada de facilitar uma negociação de venda ao Banco de Brasília (BRB). Os repasses pagos pela instituição somaram, segundo registros oficiais, pelo menos R$ 11 milhões até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025.
A própria presença de Mantega no Palácio do Planalto em pelo menos quatro ocasiões em 2024, registradas nos calendários oficiais ao lado do chefe de gabinete do presidente Lula, amplifica o desconforto político. As agendas não mencionam o banco, mas revelam o trânsito livre do consultor entre corredores do poder em Brasília.
O episódio adiciona outra camada a um escândalo que já havia explodido com a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro em 2025 e a descoberta de fraudes bilionárias na instituição, que culminaram com a deflagração da Operação Compliance Zero e com a liquidação do banco pelo Banco Central.
Críticos apontam que a atuação política em prol de um consultor com vínculos diretos ao governo demonstra um lobby institucionalizado que ultrapassa a linha entre mercado e poder público. Para a oposição, a proximidade entre Wagner e setores estratégicos do banco reproduz padrões de influência política que fragilizam a credibilidade do Estado e ampliam a desconfiança sobre eventuais conflitos de interesse.
O “Caso Master” já havia sido identificado por investigações da Polícia Federal como uma rede que atravessa não apenas políticos ligados ao PT, mas também integrantes do Congresso e até figuras do Judiciário, colocando o governo federal sob crescente pressão de explicações.
Com o escândalo em curso, o episódio envolvendo Wagner e Mantega tornou-se mais um ponto de contaminação da administração federal, ampliando críticas sobre a capacidade do Estado de manter separadas as articulações políticas e os interesses privados — em um momento em que a confiança nas instituições já se encontra profundamente abalada.
De forma resumida e objetiva, os principais escândalos e controvérsias envolvendo Guido Mantega e Jaques Wagner ao longo da vida pública:
Guido Mantega
Ex-ministro da Fazenda e figura histórica dos governos petistas.
Pedaladas fiscais (2013–2014)
Mantega foi apontado como um dos responsáveis pela política fiscal que resultou nas chamadas “pedaladas”, manobras contábeis que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff. O TCU considerou a prática irregular.
Operação Lava Jato
Foi alvo de investigações, conduções coercitivas e buscas, principalmente por suspeitas de recebimento de doações ilícitas e relação com empresários investigados. Embora não tenha sido condenado, seu nome ficou associado ao escândalo.
Caso Vale (2024)
Indicação para o conselho da Vale gerou forte reação do mercado por seu histórico intervencionista. A nomeação foi abortada após pressão.
Caso Banco Master (2024–2025)
Atuou como consultor remunerado de um banco que depois entrou em liquidação, levantando suspeitas de tráfico de influência e uso de prestígio político para negócios privados.
Jaques Wagner
Senador, ex-governador da Bahia e líder do governo Lula no Senado.
Operação Lava Jato – delações da Odebrecht
Citado por delatores por suposto caixa dois eleitoral em campanhas na Bahia. Os processos foram arquivados ou não avançaram, mas o desgaste político permaneceu.
Escândalos em obras na Bahia
Seu governo foi alvo de questionamentos sobre irregularidades em grandes contratos, como obras de infraestrutura e o metrô de Salvador.
Caso Banco Master (2024)
Apontado como o articulador político que pediu emprego para Guido Mantega no banco, episódio visto como uso da máquina política para acomodação de aliados.
Resumo direto
Mantega carrega o peso da política econômica desastrosa, da Lava Jato e agora do caso Master.
Jaques Wagner, embora juridicamente preservado, acumula histórico de suspeitas recorrentes, delações e articulações políticas controversas.
Em Brasília, quando os nomes são antigos, o roteiro raramente é novo.




