Registros de pagamento de diárias a agentes responsáveis pela segurança do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam 128 dias de deslocamentos para a região de Ribeirão Claro (PR), onde fica um resort frequentado pelo ministro Dias Toffoli, entre 2022 e 2025, incluindo fins de semana, feriados prolongados e períodos de recesso do Judiciário.
Os dados constam em registros do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) e apontam que as viagens tiveram como justificativa o apoio à segurança de autoridades do STF, a pedido da própria Corte. O órgão, no entanto, não informa qual ministro foi atendido em cada deslocamento.
Ribeirão Claro abriga um resort que já pertenceu a familiares de Dias Toffoli, informação que ampliou o debate sobre o uso de recursos públicos e a natureza dos deslocamentos realizados. As viagens ocorreram em datas que coincidem com períodos de descanso e folga no calendário do Judiciário.
Segundo os registros, os pagamentos cobrem diárias e despesas de servidores designados para garantir a segurança de autoridades da Corte fora de Brasília. A prática é prevista para situações específicas, mas o volume e a recorrência chamaram atenção ao longo do período analisado.
Procurados, Dias Toffoli e o Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestaram sobre os registros revelados. O TRT-2 confirmou a existência das viagens, mas informou que segue determinações formais do STF e que não divulga detalhes individualizados por razões de segurança.
O caso reacende o debate sobre transparência no uso de recursos públicos, critérios para deslocamento de equipes de segurança e os limites entre proteção institucional e interesse privado, especialmente quando as viagens coincidem com períodos de folga oficial.
A divulgação dos dados ocorre em meio a questionamentos públicos sobre gastos do Judiciário e deve motivar novos pedidos de esclarecimento por parte de órgãos de controle e do Congresso Nacional.




