Haddad desmente Estadão sobre ultimato ao GDF no caso do BRB

Foto: Diogo Zacarias/MF
Foto: Diogo Zacarias/MF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a pasta emitiram um desmentido formal à reportagem publicada pelo O Estado de S. Paulo que afirmava que ele teria dado um ultimato ao Governo do Distrito Federal (GDF) para que este aportasse R$ 4 bilhões no Banco de Brasília (BRB) sob risco de intervenção federal no banco. Segundo o comunicado oficial, não houve tratativa, formal ou informal, entre Haddad, a Fazenda, o GDF ou a direção do BRB sobre esse suposto ultimato. A Fazenda reforça ainda que não é o órgão regulador do sistema financeiro, função que cabe ao Banco Central — e que, portanto, não cabe a ela decidir ou ameaçar intervenções de caráter financeiro ou regulatório.

A polêmica teve origem em reportagens que ligaram a situação do BRB a operações do banco com o Banco Master, instituição que passou por intervenção e liquidação após suspeitas de fraudes em carteiras de crédito. O episódio envolveu vultosos valores e virou objeto de investigação da Polícia Federal, Banco Central e Ministério Público, com apuração de perdas que podem ultrapassar os R$ 10 bilhões.

No centro da disputa está um banco controlado pelo GDF que enfrenta questionamentos sobre a solvência e a exposição a riscos decorrentes de negócios anteriores. O BRB garantiu, em nota, que “permanece sólido, operando normalmente” e que possui um “plano de capital” caso se confirmem prejuízos relacionados às operações com o Banco Master. O governo local já sinalizou internamente que poderia avaliar aportes privados ou públicos para fortalecer a instituição, mas não há nenhum cronograma ou valor oficial confirmado publicamente.

O desmentido de Haddad ocorre em meio a forte nervosismo nos mercados e na política sobre a saúde financeira de bancos estaduais e a influência do governo federal em instituições controladas por administrações regionais. Do ponto de vista federal, a nota da Fazenda busca diluir a narrativa de pressão direta sobre outro nível de governo, o que poderia inflamar tensões federativas num momento sensível para as contas públicas e a regulação financeira.

Para o GDF, mesmo diante das incertezas, a reiterada afirmação de que não houve ultimato oficial contribui para reduzir interpretações alarmistas sobre a autonomia administrativa do BRB e o relacionamento entre os entes federativos. A questão permanece aberta, porém, e dependerá de como evoluírem as investigações e as exigências regulatórias em torno das operações do banco nos últimos anos.

 

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