O avanço de facções criminosas pelo Brasil tem se tornado um desafio crescente para o governo federal, especialmente em um ano eleitoral, com disputas entre grupos organizados assumindo maior visibilidade e impacto social, segundo análise divulgada nesta semana por especialistas e autoridades.
A expansão territorial de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — entre outras ramificações — tem pressionado estados e o governo central a intensificar ações de segurança pública, em meio a ocorrências que incluem “rachadinha” de mercados ilegais, confrontos com forças de segurança e assaltos a bancos.
Segundo analistas em políticas de segurança, as facções têm aproveitado vulnerabilidades na infraestrutura social e operacional das polícias estaduais para ganhar espaço em cidades de médio porte e fronteiras estaduais, além de ampliar influência nos centros urbanos das regiões Norte e Nordeste, onde há déficit de efetivo policial e serviços públicos básicos.
O fenômeno ocorre em pleno ano eleitoral, período em que a pauta de segurança pública ganha papel central na campanha de candidatos a cargos majoritários. Autoridades ouvidas pelo Correio Braziliense reforçam que o avanço organizado das facções pode alterar percepções de segurança da população, influenciar debates políticos e pressionar as agendas de governo neste ciclo eleitoral.
Além de disputas por território, as facções também se envolvem em ramos econômicos ilícitos, como tráfico de drogas, contrabando e jogos de azar, com impacto direto nas finanças do crime organizado e nas redes de distribuição intermunicipais. O uso de tecnologia por parte desses grupos para comunicação e logística também é citado como fator de sofisticação das operações.
Especialistas apontam que, para enfrentar o desafio, é necessária coordenação entre entes federativos, melhor integração de bases de dados de inteligência policial e políticas sociais voltadas à prevenção da criminalidade em áreas vulneráveis, além do reforço de efetivos e equipamentos das forças de segurança.
O governo federal tem anunciado medidas de apoio a estados, incluindo envio de tropas, recursos para infraestrutura, inteligência e programas de intervenção, mas interlocutores ressaltam que a complexidade do problema demanda ações de longo prazo e não apenas respostas emergenciais.
A questão também tem gerado debates no Congresso Nacional sobre a necessidade de aperfeiçoamento de leis penais e maior punição para crimes relacionados à organização criminosa, tema que deve ganhar força nos próximos meses de campanha política.
Em meio a isso, o impacto prático na vida dos cidadãos se reflete em maior sensação de insegurança, pressão sobre sistemas de justiça e policiamento, e desafios institucionais para conciliar medidas de repressão com garantias dos direitos fundamentais, cenário que se intensifica neste início de 2026.




