O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na noite desta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, que “já tinha feito o que tinha que fazer”, durante um evento acadêmico poucas horas depois de autorizar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o presídio conhecido como Papudinha, em Brasília.
A declaração foi feita em tom bem-humorado durante a colação de grau da 194ª turma de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde Moraes era paraninfo e participou do corpo docente. Ao comentar sobre a duração dos discursos no evento, o magistrado brincou que quase tomou medidas para conter as falas, acrescentando: “acho que hoje já fiz o que tinha que fazer”.
A fala foi interpretada por parte da imprensa como uma referência implícita à decisão judicial assinada no mesmo dia, que determinou a transferência de Bolsonaro da sede da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília para o 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade prisional integrante do Complexo Penitenciário da Papuda.
A ala conhecida como Papudinha oferece espaço próprio para autoridades ou detentos com condições especiais, e a mudança foi anunciada pelo próprio Moraes horas antes do discurso na USP. Bolsonaro estava detido desde novembro de 2025 em Brasília.
A declaração do ministro repercutiu nas redes e na imprensa, e foi recebida com aplausos pela plateia durante a colação de grau. O episódio ocorre em meio ao intenso acompanhamento público e político dos desdobramentos da custódia do ex-presidente, cuja transferência ocorreu em meio a reclamações de aliados e familiares sobre as condições de detenção.




